outubro26 , 2021

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    São Paulo – SP 28/7/2021 – Ao adquirir uma ave é importante levar o animal para check-up com um médico veterinário.

    Esta realidade reflete a falta de consciência ambiental das pessoas que adquirirem ilegalmente aves silvestres como animais de estimação.

    Os periquitos, calopsitas e agapornis estão cada vez mais presentes nos lares brasileiros. As pessoas que desejam ter a companhia de uma ave pet legalizada necessitam desenvolver um ambiente adequado e seguro para criar esse tipo de animal.

    Antes de levar o animal para o lar é preciso ter condições financeiras para investir em gaiola, comedouro, bebedouro, ração e outros objetos para que a ave tenha uma vida saudável. Ao adquirir uma gaiola ou viveiro deve-se observar a qualidade do material, a facilidade de limpeza e o tamanho. “Os melhores modelos são os que apresentam uma grade e gaveta removível no fundo da gaiola, para permitir uma limpeza eficiente”, salienta Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News & Negócios (www.revistaecotour.news).

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    É fundamental escolher comedouros e bebedouros com tamanho indicado para a espécie escolhida, para que a ave tenha uma postura adequada ao se alimentar e evitar que ela defeque sobre esses objetos, contaminando alimentos e água. Em relação ao material, a opção mais recomendada são as vasilhas de porcelana.

    A dieta da ave deve ter como base a ração extrusada indicada para a sua espécie. Somente eventualmente pode ser oferecido petisco, o mix de sementes, já que as sementes são ricas em gordura e não devem ser consumidas diariamente.

    As aves são extremamente inteligentes, e por isto demandam contato com as pessoas, muita interação e brincadeiras. “Não tem problema a pessoa ter aves de espécies diferentes, mas com certeza não é recomendado deixá-las na mesma gaiola”, afirma a médica veterinária Dra. Bruna Barbosa, que é uma das responsáveis pela área de internação da Safari, uma empresa de São Paulo que presta serviços veterinários para hospitais e zoológicos.

    De acordo com a médica veterinária Dra. Marta Brito Guimarães, que é doutora em Ciências e professora no Ambulatório de Aves da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, as rações extrusadas para aves pet já são fabricadas especialmente com a quantidade ideal de vitaminas e sais minerais para nutrir esses animais. Além disso, é indicado complementar a alimentação das aves com legumes, verduras e frutas. A dieta adequada supre a necessidade nutricional das aves e a rotina do pet não requer nenhum uso de produtos vitamínicos.

    Ao adquirir uma ave é importante levar o animal para check-up com um médico veterinário. A ave pode ser portadora de um patógeno e demorar para manifestar uma doença, então o acompanhamento médico é imprescindível nesse momento. A quarentena é ainda mais importante se a pessoa já tiver outras aves em casa, para evitar que a introdução de uma nova ave no ambiente contamine as demais. “Na rotina veterinária, infelizmente atendemos muitas aves que acabam vindo ao óbito porque o tutor não tomou esse cuidado com a questão sanitária”, alerta Dra. Bruna Barbosa.

    O ambiente das aves não pode ser abafado, mas também não pode permitir a passagem de correntes de ar. “O sistema respiratório das aves é muito sensível então excesso de vento com certeza faz mal para as aves”, diz a médica veterinária Dra. Bruna Barbosa.

    “A temperatura ideal para a ave varia conforme a espécie, mas, em geral, as aves demandam temperatura superior a 28 graus. O frio pode matar a ave, por isso, em muitos casos pode ser recomendado utilizar lâmpadas de aquecimento ou aquecedores, mas com o cuidado de manter a umidade do ar em níveis desejados para evitar que a ave adoeça”, relata Vininha F. Carvalho.

    O fornecimento de vitaminas para as aves sem recomendação veterinária gera muitos problemas porque provoca a hipervitaminose, que é o excesso de vitaminas. Os perigos estão relacionados com o excesso das chamadas vitaminas lipossolúveis, ou seja, vitaminas solúveis em lipídios.

    Enquanto, para a medicina humana, a comercialização de antibióticos é restrita e as farmácias só liberam a venda do produto mediante apresentação de receita médica, o mesmo não acontece na área de saúde animal. A venda indiscriminada principalmente de antibióticos por meio da indicação de balconistas de pet shops e sem prescrição é preocupante. “No campo veterinário, ainda há uma luta para que não possam comprar diretamente no balcão. A indústria veterinária está levando isso em consideração para que não haja resistência ao uso de antibióticos”, disse a Dra. Marta Brito Guimarães.

    O Brasil ocupa um lugar de destaque em relação ao tráfico de animais silvestres, responsável por 15% dessa prática, segundo a Renctas. São cerca de 38 milhões de animais silvestres retirados da natureza todos os anos. E, segundo dados do Ibama, 82% dos animais traficados são aves. Dentre as ordens de aves, as mais traficadas são os passeriformes (canários, cardeais, curiós, azulões, bicudos) seguidos pelos psitacídeos (araras, papagaios e periquitos).

    “O tráfico de aves silvestres ameaça a sobrevivência dos ecossistemas, pois cada espécie tem uma função específica na natureza e, quando retiradas de seu ambiente natural, provavelmente nenhuma outra é capaz de desempenhar aquele papel. O comércio ilegal ocasiona um desequilíbrio ecológico, além do sofrimento aos animais”, conclui Vininha F. Carvalho.

    Website: https://www.revistaecotour.news