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Brasil: Caus, vergonha e revolta

Diante do cenário cada vez mais caótico que vive o país nos últimos dias, é impossível, por mais acomodados que nós brasileiros sejamos, não fazermos uma reflexão sobre toda a conjuntura, social, política, cívica e econômica que resultaram na nação indecorosa a qual fazemos parte.

Até que enfim, após mais de 200 aumentos consecutivos nos preços do combustível, em 2 anos de governo,  “alguém” teve a coragem de levantar a voz e dizer que o povo ainda está aqui.

Quem diria, diante de centenas de sindicatos e movimentos da sociedade civis organizada tão eficazes em fazer greves e paralisações, os brasileiros esperaram uma das categorias mais silenciosas da nação gritar, para darem um basta na inescrupulosa política de preços adotada pela Petrobrás nos últimos anos.

A greve dos caminhoneiros já dura 09 dias e o país já dar sinais de um caus generalizado. Diante de um governo ilegítimo, afogado em casos de corrupção e completamente desnorteado, o Brasil que já passava por uma das maiores crises da história vem se afogando cada dia mais.

São bilhões de reais perdidos com a não exportação, é a credibilidade do país perante as demais nações que pensarão duas vezes antes de importarem produtos do Brasil novamente. É o desabastecimento da população, são os milhões de aves abatidas por falta de ração, são milhões de estudantes sem aula, são milhares de toneladas de alimentos perecíveis perdidos e o setor agrícola que historicamente sustenta nossa economia sem ter por onde escoar a produção, enfim, são incontáveis os prejuízos para o país.

Nitidamente, já acostumado com a covardia do povo brasileiro, o governo e a mídia em geral desde o inicio da greve ao invés de colocar todos os prejuízos que uma paralisação deste porte poderia acarretar, e darem uma solução coesa ao problema, preferiram a todo o momento desferirem ameaças mirabolantes ao movimento, confiantes de que com isso iriam desmotivar a mobilização. Na mídia, os casos de falta de remédio, de cancelamento de cirurgias e todo o descaso com a saúde que até então sempre foram exibidas como descaso do poder público do dia para a noite passaram a ser atribuídas unicamente aos bloqueios nas estradas causadas pela greve. Foram tentativas e mais tentativas de desestabilizar, com críticas e ataques a classe. Até convocação de servidores públicos para dirigirem os caminhões o governo propôs, o que só demonstrou o quanto ridículo este governo é.

Ao falar em “ridículo” não deixaria de falar de todos aqueles que fazem filas diariamente em postos para pagarem quase R$ 5,00 em um litro de gasolina, enquanto outra parcela da população luta pela diminuição no preço dos combustíveis. Em qualquer país que tenha o mínimo de civismo e patriotismo veríamos um boicote total aos postos até que o governo cedesse aos anseios da população, mas nesta pátria mãe gentil vemos o contrário.

Outra imagem estarrecedora são as viaturas da polícia e até do exercito fazendo a escolta de caminhões transportando combustível, cinco, seis viaturas fazendo a segurança de um caminhão, o exercito empenhado nesta “mega” operação e passando vergonha, a exemplo da intervenção no Rio de Janeiro que vive o mesmo terror de sempre. Desconheço qualquer nação que tenha acionado o exercito ou ate mesmo a polícia para escoltar combustível para empresas privadas, independente da situação, isto só explicita o nível de decadência ao qual o país chegou.

Após todas as negociações e os pontos acatados pelo governo, os caminhoneiros continuam de braços cruzados, e o recado está dado, uma das pautas é a saída do presidente da Petrobrás Pedro Parente que tem vendido o petróleo bruto para empresas norte americanas e comprado seus derivados mais caro, a fim de favorecer petrolíferas estrangeiras e a defasagem da indústria e da economia brasileira. Além, claro, da saída de Michel Temer da presidência da republica.  No Chile uma greve desta mesma categoria acarretou no ataque armado pelo exercito ao palácio do governo e o posterior suicídio do então presidente do Chile Salvador Allende em 1973, após 26 dias de greve.

No Brasil, o estrago econômico já é enorme, mas estamos todos em estado de atenção aguardando o desfecho social e político destes movimentos.

Inácio Santana/ Redação Soudesergipe

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