fbpx
Portal Sou de Sergipe
O portal do Sergipano

Em coletiva, negociadores explicam ocorrência com reféns e dizem que vidas foram preservadas

Em entrevista coletiva on-line, realizada nesta quarta-feira, 12, foram detalhadas as medidas adotadas para o desfecho da rebelião que ocorreu durante o dia de ontem, 11, no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria, na cidade de Aracaju. A ação das unidades vinculadas à Secretaria da Justiça, do Trabalho e de Defesa do Consumidor (Sejuc) e à Secretaria da Segurança Pública (SSP) foram fundamentais para a preservação da integridade física e da vida de todos os envolvidos na ocorrência. A conclusão da rebelião ocorreu por volta das 21h30 dessa terça-feira. As negociações foram acompanhadas desde o início por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A rebelião teve início por volta das 8h30 dessa terça-feira, 11. Seis internos fizeram sete prestadores de serviços da Sejuc reféns. Os detentos estavam em posse de facas e pedaços de ferros. Dois dos reféns chegaram a ser feridos superficialmente. Eles foram liberados ainda pela manhã e receberam atendimento médico. As medidas necessárias às investigações do caso serão adotadas, inclusive com a análise do material gerado pelo monitoramento da unidade prisional.
O coronel Reinaldo Chaves, secretário-executivo da Sejuc e gerenciador de crise, detalhou as medidas iniciais adotadas na rebelião que ocorreu no Compajaf. “Por volta das 8h, tivemos a primeira informação de um incidente ocorrido no Compajaf. A partir daí, chegamos ao local da rebelião. As medidas preventivas todas foram adotadas. Acionamos o Corpo de Bombeiros, o Samu, a Polícia Militar. Houve o cercamento e adoção primordial das medidas para a contenção. Informamos à OAB e iniciamos o contato com os internos”, citou.
Cenário encontrado e negociações
O local da rebelião ficou restrito à enfermaria da unidade prisional, conforme explicou o coronel Reinaldo Chaves. “No primeiro momento, identificamos que o local do motim ficou restrito à enfermaria. Esse local é onde ocorre o atendimento de assistentes sociais, jurídico e da própria saúde do interno. Aproveitando desse momento, eles fizeram, inicialmente, sete reféns, sendo que dois conseguiram escapar com ferimentos leves, foram atendidos e encaminhados ao hospital devido”, complementou.
As negociações foram conduzidas pelo coronel Reinaldo Chaves, secretário-executivo da Sejuc. O coronel José Moura Neto, comandante do policiamento militar da capital (CPMC), capitão Weniston Queiroz, comandante do Comando de Operações Especiais (COE),  tenente-coronel S. Junior, comandante do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), e integrantes do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) acompanharam a situação desde o início.
O coronel José Moura Neto, comandante CPMC, realçou o trabalho realizado pela Polícia Militar no processo de negociação para encerramento da rebelião com tranquilidade e garantia da integridade física de todos os envolvidos na situação. “Logo cedo a Polícia Militar foi comunicada e encaminhou as unidades para o local. A todo o momento eram traçadas estratégias que culminaram com o sucesso da operação, que foi, primeiro, salvar vidas. Nós da Polícia Militar estivemos no local e demos a garantia aos negociadores para de que estávamos ali para apoiar, para ajudar, desde o início”, salientou.
José Moura Neto detalhou que a situação, inicialmente, era crítica, mas que todas as medidas necessárias para uma elucidação tranquila da ocorrência foram implementadas pelas instituições envolvidas nas negociações. “A situação tomou um rumo, de meio-dia para a tarde, de maior tranquilidade às negociações. Inicialmente, era muita tensa a situação. Os detentos também estavam muito nervosos no início da rebelião. Através da negociação, do convencimento e da palavra dada e cumprida, o diálogo começou a fluir mais intensamente”, reforçou.
O comandante do COE, capitão Weniston Queiroz, caracterizou como fundamental todas as etapas realizadas na negociação para uma conclusão segura da ocorrência. “A crise é uma situação que não é rotineira, que foge da realidade e que precisa de uma resposta especial da polícia, a fim de assegurar uma solução aceitável. Essa solução é baseada em dois aspectos fundamentais, que é a preservação de vidas, todas as vidas são importantes nesse cenário, de todos. E também na aplicação da lei. Isso foi muito bem empregado ontem. As vidas foram preservadas, então solução aceitável nessa solução de crise”, evidenciou.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também esteve presente no local e acompanhou de perto todo o processo de negociação. O advogado Robson Barros, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, caracterizou como precisas e essenciais todas as medidas adotadas por todas as instituições envolvidas no desfecho da rebelião, de modo que foram preservadas a integridade física e a vida de todos aqueles inseridos no contexto da ocorrência no Compajaf.
“Ontem, diante desse cenário, o objetivo foi abrir o diálogo e mostrar a segurança para todos os envolvidos, internos e reféns. As instituições da segurança pública de Sergipe se mostraram muito competentes e precisas no diálogo, que foi fundamental para fluir as negociações. Naquele cenário tenso e de difícil diálogo, a partir da nossa chegada, levamos essa segurança para todos. Todos foram fundamentais para o desfecho pacífico da rebelião e foram garantidos os direitos fundamentais de todos os envolvidos”, assinalou o representante da OAB.
Motivação da rebelião
A motivação apontada pelos internos não estava relacionada à suspensão das visitas, ação implementada para o enfrentamento à pandemia da Covid-19. Os internos responsáveis pela rebelião alegaram que não estavam se sentindo seguros na unidade prisional e solicitaram transferências para outros presídios.
A Secretaria da Justiça, do Trabalho e de Defesa do Consumidor (Sejuc), em conjunto com Secretaria da Segurança Pública (SSP), durante todo o acompanhamento da ocorrência e negociações, fez todas as análises referente aos riscos à segurança dos internos, para que fosse verificada e consolidada a transferência.
Após o encerramento da rebelião, os presos foram encaminhados para viaturas da unidade prisional e foram levados para o Instituto Médico Legal (IML), onde foram feitos exames para atestar a integridade física deles. Em seguida, foram direcionados ao Complexo Penitenciário Dr. Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão. A Perícia também foi acionada para analisar a sala onde ocorreu a rebelião.
Internos envolvidos
Os internos responsáveis pela ocorrência registrada nessa terça-feira já possuem seus processos criminais na condição de trânsito em julgado, ou seja, foram condenados definitivamente pelos crimes que praticaram. “Esses presos, juntos somam penas de 647 anos. O que tem menos foi condenado a, aproximadamente, 35 anos de pena privativa de liberdade em regime fechado. Temos dois com penas acima de 200 anos. É importante frisar que aos órgãos do estado, atores na situação de crise, não compete fazer o julgamento. A finalidade era fazer o desfecho da ocorrência, preservando vidas”, reiterou o coronel Reinaldo Chaves.

SSP

COMENTE!

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja bem com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Consulte Mais informação

Política de Privacidade e Cookies