A caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciada na semana passada, terá eventos em 25 cidades diferentes ao longo de 20 dias. No percurso entre esses pontos, porém, a comitiva tem feito paradas não programadas, a fim de atender militantes e prefeitos aliados ao petista. As interrupções no trajeto contam com a aprovação do ex-presidente, mas atrasam a programação e, em alguns momentos, tiram a paciência de Lula.

ASSISTA VÍDEO ONDE LULA FAZ “TRATO” COM POPULAÇÃO EM CIDADE SERGIPANA PARA SEGUIR CARAVANA

Nessa segunda-feira (21), o Portal UOL acompanhou a caravana durante todo o trajeto entre os municípios sergipanos de Lagarto e Estância. Nas duas cidades entre o caminho, havia grandes aglomerações, e a comitiva parou em ambas.

Na primeira delas, em São Domingos, o prefeito Pedrinho (PT) chegou a alugar um minitrio elétrico na esperança de Lula descer e fazer um discurso mesmo que breve.

Lula tem atrasado em praticamente todos os compromissos agendados na região. Na entrega do título de doutor honoris causa na UFS (Universidade Federal de Segipe), em Lagarto, o atraso da cerimônia foi de 2h30. Por isso, a passagem do ex-presidente por São Domingos, prevista para o meio-dia, ocorreu apenas às 15h.

Por conta da pressa em seguir para o ato seguinte, marcado para as 13h em Itabaiana, Lula desceu rapidamente do ônibus, pegou o microfone e disse que só iria para o trio se todos concordassem em não o parar para tirar foto. No curto trajeto, também reclamou dos empurrões e disse que, se continuassem empurrando, não iria seguir.

Mas Lula subiu ao trio, para alegria dos simpatizantes. Na cidade, ao contrário de atos oficiais, não havia participação de movimentos sociais ou sindicatos. Os moradores improvisaram bandeiras vermelhas com tecido teflon e pedaços de pau.

Lula discursa na cidade de São Domingos (SE), enquanto militantes carregam bandeiras de teflon.

Lula prometeu que, na próxima visita a Sergipe, os seus cicerones irão levá-lo a São Domingos. “E prefeito, você me faça uma carne de sol para comer com essa farinha que você me presenteou”, disse.

Na descida, voltou a pedir que não tirassem fotos para não o atrasar. “Hoje em dia todo mundo é uma emissora de televisão, faz suas próprias imagens, mas isso demora”, disse, sempre empunhando o microfone.

Segundo o prefeito Pedrinho, apesar da faixa na frente do trio com os dizeres de que a prefeitura saudava Lula, não houve qualquer recurso público empregado para recepção ao ex-presidente. “Aqui a gente fez uma vaquinha, arrecadou dinheiro com um, com outro, mas não gastamos nada público, nem recebemos do partido ou da caravana”, garantiu.

Lula pede espaço ao passar pela multidão durante parada em São Domingos-SE.

Improviso total

Na cidade vizinha, em Campo Brito, havia outra aglomeração à espera da passagem de Lula. Não havia políticos discursando, e o clima de improviso foi ainda maior.

O ônibus com o ex-presidente parou. Lula inicialmente acenou, mas aos gritos de “desce”, foi cumprimentar o povo que o aguardava.

O carro de som que estava próximo ao local para animar o público foi chamado para que Lula discursasse, mas apresentou defeito na hora.

A reportagem do portal UOL viu quando o motorista chamou um colega e pediu que ele pisasse no pedal do freio para o carro não descer enquanto ele abria o capô para tentar resolver o problema. Resolveu rapidamente, mas o tempo foi o suficiente para que a caravana deixasse a cidade sem ouvir a palavra do presidente.

Carro de som quebrado na cidade de Campo Brito-SE

Viagem com apoio

Lula tem viajado em três ônibus alugados com placas de Salvador. Dois deles são adesivados com o nome da caravana: “Lula pelo Brasil.”

O ex-presidente viaja em um deles com aliados mais próximos. Nos primeiros dias, por exemplo, viajou ao lado do ex-governador Jaques Wagner (PT-BA) e da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Os outros dois seguem com outros políticos locais e assessores das viagens. Há ainda carros de apoio, como uma van que sempre é usada nas cidades para trajetos mais curtos –e onde o ônibus teria dificuldade de circular.

Na Bahia e em Sergipe, as viagens contaram com grande apoio das polícias Militar e Rodoviária Federal, que enviaram carros para dar segurança e fechar o trânsito em alguns momentos. Há ainda seguranças particulares que também seguem a comitiva em veículos comuns.

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