Na ultima semana, foi exibido na Rede Globo uma matéria sobre a legalização e criminalização da maconha no Brasil e toda uma discussão foi reaberta sobre esse tema polêmico que há anos é motivo de opiniões diferentes Brasil a fora.

O uso da maconha e a discussão sobre a legalização são assuntos que causam muita polêmica no Brasil, pois a maconha é a droga mais consumida no país e a matriz.

Sabemos que são milhões investidos anualmente no combate ao tráfico de drogas no país, e inevitavelmente muitas mortes por diversas causas ligadas ao mundo do trafico e prisões super lotadas são uma realidade no Brasil que há muito tempo já perdeu a guerra contra o tráfico.

Países como Uruguai e Holanda são exemplos de uma mudança inteligente no combate ao tráfico que tem trazido bons resultados, pois os traficantes “ficaram desempregados” e agora o estado nesses países é quem lucra com uma diversificação muito grande de produtos medicinais oriundo da Cannabis Sativa que quando utilizada para fins medicinais e recreativo, traz ótimos resultados.

O primeiro cultivo legal para uso medicinal do país está acontecendo na Paraíba através da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (ABRACE) é a única no Brasil que produz óleos a partir da maconha para tratamento de várias doenças, com autorização da Anvisa. O plantio foi autorizado pela Justiça Federal.

Químicos, farmacêuticos e agricultores trabalham seis meses no processo de produção até chegar ao óleo de cannabis.

A ABRACE está fazendo testes com o THC, a substância da maconha que tem efeito psicotrópico, e que ainda não é regulamentada pela Anvisa. Pessoas com mal de Parkinson têm procurado a associação para tomar o extrato de THC. Frederico Waclawovsky faz parte de um grupo de médicos que estuda o uso da cannabis como remédio: “A gente está tendo resultados muito positivos. A gente solicita que as medicações vigentes não sejam descontinuadas. Esse é um tratamento em conjunto”.

A Associação Brasileira de Psiquiatria não reconhece o componente THC da maconha como medicamento. “O único que tem ação medicinal é o canabidiol, porque ele tem o efeito tranquilizante e não afeta diretamente as funções neuronais. O delta 9 TCH acaba antecipando o início da esquizofrenia, uma doença grave em psiquiatria. Tudo isso já está rastreado cientificamente”, afirma Itiro Shirakawa, da Associação Brasileira de Psiquiatria na reportagem exibida no G1.

Na reportagem, foi mostrado Sheila Geriz e Júlio Pinto Neto usando o óleo de cannabis no filho Pedro, que tem crises de convulsão, e comemoram a melhora do filho. A fisioterapeuta do menino, Thaís Andrade, também vê avanços: “Ele chegava muito sonolento, não conseguia fazer a fisioterapia, chegava muito irritado e tinha crises durante a sessão. Depois, ele começou a permanecer mais tempo, menos irritado, isso foi melhorando bastante e a gente conseguiu progredir nos exercícios”.

Assista o vídeo da reportagem:

Plantações escondidas

A maior área de plantação de maconha no Brasil, conhecida como “Polígono da Maconha”, abrange 13 cidades da Bahia e de Pernambuco, às margens do Rio São Francisco. Quarenta e cinco mil pessoas estão envolvidas no plantio da maconha na região, segundo Paulo Fraga, sociólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora.

A maconha é plantada em ilhas que pertencem à União. “Acredita-se que o Polígono da Maconha hoje seja responsável por 40% do consumo da maconha no Brasil”, diz o advogado Paulo César de Oliveira, da reserva da Polícia Militar.

Paulo César faz parte de um grupo de policias militares, promotores e juízes que defendem a legalização das drogas e também aparece na reportagem defendendo urgentemente a legalização da Cannabis.

“Eu não vejo outra solução para tanto encarceramento e morte”, afirma Paulo Cesar.

Quase 190 mil pessoas estão presas no Brasil por tráfico de drogas, e muitas vezes até por quantidades muitos pequenas. É um terço da população carcerária.

Guerra contra o tráfico

O combate ao tráfico de drogas no Brasil já dura mais de três décadas. No ano passado, só no Rio de Janeiro a polícia matou 673 pessoas na capital e na Baixada Fluminense, de acordo com o Instituto de Segurança Pública do RJ.

Em Fortaleza, a capital mais violenta do Brasil, facções criminosas disputam o domínio do tráfico de drogas. Em um fim de semana, 14 pessoas foram assassinadas por arma de fogo na capital. Nas cenas dos crimes, moradores dizem que o tráfico de drogas é quase sempre a causa da violência.

“Sou contra a descriminalização da droga. Não é porque está se perdendo a guerra (contra a drogas) que você tem que se render ao inimigo”, diz André Santos Costa, secretário de Segurança Pública do Ceará.

Uso recreativo

Em Campina Grande, na Paraíba, um grupo de quatro pessoas cultivam maconha para uso recreativo em um clube canábico. Eles alugaram uma casa para o cultivo. “É para o nosso consumo. Não vendemos porque seríamos um braço do tráfico”, diz um deles.

No Uruguai, Hoje já  está permitida a venda de maconha para uso recreativo nas farmácias que logo no primeiro dia, foi esgotado os estoques e o governo arrecada muito em impostos. É a última etapa de um processo de quatro anos de discussões sobre o cultivo e a distribuição.

No país, a maconha agora será vendida nas farmácias. Só cidadão uruguaios, que se cadastrarem, poderão comprar a droga. Até agora, há 1,6 mil inscritos. Essa etapa de venda encontra resistência dos donos de farmácia e de parte da população.

A legalização da maconha foi aprovada durante o governo do ex-presidente José Mujica.

Segundo ele, a intenção foi tirar os consumidores da ilegalidade e acabar com o narcotráfico: “Nós não estamos de acordo com o consumo de alucinógenos, nenhum vício é bom. Para nós, é uma doença que não poderemos tratar se mantermos a maconha na clandestinidade. O que posso dizer ao Brasil é que se vocês querem mudar e estão há 50 anos fazendo a mesma coisa, vocês têm que pensar em experimentar outro caminho”.

A questão das drogas não pode ser vista como uma questão policial. Debater a legalização é muito importante”, opina Orlando Zaccone, delegado da Polícia Civil.

Zaccone é membro da LEAP, Agentes da Lei Contra a Proibição. São delegados, policias, juízes e carcereiros que são contra a proibição das drogas e defendem a legalização e regulamentação. Segundo a juíza aposentada Maria Lúcia Karam, também integrante da LEAP, as drogas podem ser profundamente destrutivas na vida de uma pessoa, mas a guerra às drogas é muito pior, pois traz muito prejuízo aos cofres públicos com a repressão e o gasto individual por preso que ainda tem direito ao “Auxílio Reclusão” que sai dos cofres públicos.

Izaque Vieira / Redação Portal Sou de Sergipe 

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