Os números oficiais divulgados pelo Centro de Informações e Decisões Estratégicas em Saúde (Cides/Diplan) e atualizados em 13 de agosto de 2025 desmontam qualquer discurso otimista da gestão municipal sobre saúde pública.
Monte Alegre de Sergipe, com pouco mais de 14 mil habitantes, vive uma crise silenciosa e mortal, onde a falta de prevenção, a fragilidade da atenção básica e a ausência de políticas efetivas estão custando vidas inclusive de jovens e crianças.
Mortes que poderiam ser evitadas
Em apenas sete meses e meio de 2025, 9 pessoas entre 30 e 69 anos morreram de forma precoce. A taxa é de 135,07 óbitos por 100 mil habitantes, e as causas não deixam dúvida: doenças que poderiam ser prevenidas ou controladas com acompanhamento médico e exames regulares.
•Infarto: 4 mortes
•Câncer: 6 mortes
•Diabetes: 2 mortes
•AVC: 1 morte
Essa estatística revela mais que um problema de saúde: mostra que o município não está prevenindo, não está diagnosticando e não está tratando a tempo.
Violência e trânsito fora de controle
Enquanto falta atendimento básico, a violência e o trânsito ceifam vidas.
Foram 5 mortes por causas externas só em 2025, 10,42% de todos os óbitos do ano:
•2 acidentes de trânsito
•1 homicídio
•1 suicídio
•1 por outras causas violentas
Não há sinal de campanhas efetivas de segurança no trânsito, nem de prevenção à violência ou à saúde mental.
Infância esquecida
O índice de mortalidade infantil está em 13,79 por mil nascidos vivos, com 2 mortes de bebês de menos de um ano e 1 morte de criança de 1 a 4 anos.
Cada número desses é uma vida que se foi por falhas no pré-natal, na assistência ao parto ou no acompanhamento nos primeiros anos.
E o quadro da juventude é igualmente grave: 22,76% das gestações no município são de adolescentes. São 33 meninas grávidas só este ano, um reflexo direto da falta de políticas de educação sexual e acesso a métodos contraceptivos.
Prevenção abandonada
Na luta contra o câncer, Monte Alegre de Sergipe praticamente vira as costas para sua população feminina. Em 2025, foram realizados:
•217 exames citopatológicos (0,17 por mulher de 25 a 64 anos)
•55 mamografias (0,09 por mulher de 50 a 69 anos)
Na prática, milhares de mulheres estão sem rastreamento mínimo para câncer de mama e de colo do útero.
Internações que revelam o fracasso da atenção básica
Os dados de internações clínicas confirmam o diagnóstico de descaso: 17,39% das hospitalizações em 2025 são por condições sensíveis à atenção básica (ICSAB) problemas que deveriam ser resolvidos nos postos de saúde antes de virar caso de hospital.
O retrato de uma gestão que não prioriza vidas
Mesmo com indicadores tão graves, não há registro de grandes mudanças ou investimentos consistentes para reverter a situação.
Monte Alegre de Sergipe não sofre por falta de recursos tecnológicos de ponta, mas por falta do básico: médicos suficientes, exames no tempo certo, acompanhamento de gestantes, orientação a adolescentes, campanhas preventivas e presença real da saúde no dia a dia da população.
Enquanto o poder público ignora, a conta é paga em caixões e as estatísticas só aumentam.
Fonte: Centro de Informações e Decisões Estratégicas em Saúde (Cides/Diplan) [email protected]
Atualização: 13/08/2025
















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