O julgamento do caso de Henry Borel, criança de 4 anos morta em março de 2021, terminou na madrugada desta quarta-feira (4/6), após mais de dez dias de sessões, tornando-se o júri mais longo do Rio de Janeiro nos últimos 18 anos.
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e tortura contra o menino. O Conselho de Sentença reconheceu que as agressões foram cometidas com motivo fútil e resultaram na morte da criança.
Já a mãe do menino, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada. O júri entendeu que ela não tinha intenção de matar, embora tenha sido responsabilizada por omissão em relação às agressões sofridas por Henry. Monique recebeu perdão judicial e deixou a prisão após a decisão.
Julgamento histórico e repercussão
O processo se tornou emblemático não apenas pelo crime em si, mas também pelo seu impacto social e midiático. Durante mais de dez dias de sessões, foram ouvidas testemunhas, peritos, investigadores e especialistas que participaram das investigações desde 2021. A conclusão do julgamento marca um momento importante no combate à violência infantil no Brasil.
O caso também levou à criação da Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica, reforçando a necessidade de atenção e cuidado no ambiente familiar.
Após a sentença, o pai de Henry, Leniel Borel de Almeida, expressou indignação com a decisão de conceder perdão judicial à mãe do menino. Ele afirmou que seu filho teria sido “morto pela terceira vez”, em referência à absolvição de Monique em relação ao homicídio.
Especialistas em direito criminal destacam que, apesar do perdão judicial, a condenação de Jairinho representa um marco na responsabilização de adultos em casos de violência infantil e reforça a importância da atuação judicial em defesa das vítimas mais vulneráveis.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na zona oeste do Rio de Janeiro. Investigações indicaram que a criança foi vítima de agressões graves, que culminaram em seu óbito. A repercussão do caso causou comoção nacional e trouxe à tona debates sobre violência doméstica, responsabilidade parental e proteção infantil.


















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