Aracaju, SE — O Ministério Público de Sergipe (MP-SE) reforçou nesta terça-feira (26) que Tiago Sóstenes Miranda de Matos não tentou tirar a própria vida após assassinatada a empresária e estudante de direito Flávia Barros dos Santos, em março deste ano.
Durante coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje, o MP detalhou as investigações sobre o feminicídio ocorrido em um hotel no Bairro Coroa do Meio, na Zona Sul de Aracaju.
Alegação de suicídio é desmentida por laudos técnicos
O suspeito, policial penal que está preso preventivamente, foi baleado no mesmo dia do crime. Na época, circulou a versão de que ele teria tentado suicídio após atirar na vítima.
“Tiago Sóstenes não tentou tirar a própria vida. Ele foi atingido inclusive de forma superficial na cabeça por tiros que ricochetearam em outros alvos. Essa alegação de que ele estava absolutamente abalado e que, portanto, acabou tentando tirar a própria vida cai por terra com base nas provas que até o momento foram produzidas”, afirmou a promotora de Justiça Luciana Duarte.
Os laudos técnicos apontam que o ferimento na cabeça do policial foi superficial, característico de tiros que ricochetearam, e não de um disparo intencional contra si mesmo.
Relacionamento abusivo comprovado por mensagens de celular
Durante a entrevista, o MP-SE informou que dados extraídos dos aparelhos celulares dos envolvidos comprovaram que Flávia vivia um relacionamento abusivo com o policial penal.
As promotoras explicaram que as mensagens trocadas entre o casal indicam que a estudante já havia sofrido episódios anteriores de violência, que com o tempo escalaram até culminar no homicídio da empresária.
Flávia Barros tinha 38 anos e era empresária e estudante de Direito. O crime ocorreu em 22 de março de 2026, em um domingo, no hotel localizado na Zona Sul de Aracaju.
MP pede condenação por feminicídio com agravantes
O Ministério Público pede a condenação do suspeito pelo crime de feminicídio, que tem pena máxima de 40 anos e a incidência de duas causas de aumento de pena.
“A pena tem que ser rigorosa nesse caso, não só por se tratar de feminicídio, mas um feminicídio com circunstâncias que agravam absolutamente o crime, como o fato dele ser agente da segurança pública, fazer uso de uma arma funcional, por ele ter encurralado a vítima no quarto, atirado nela sem possibilidade de defesa e com motivado e imbuído com essa questão de gênero”, completou a promotora Luciana Duarte.
Principais detalhes do caso
Vida dupla: suspeito era casado e tinha 3 filhos
Em investigações anteriores, apurou-se que Tiago Sóstenes levava vida dupla: era casado e tinha 3 filhos em outro estado enquanto namorava Flávia. A vítima não sabia da família do policial penal.
O relacionamento oficializado começou há apenas 1 semana antes do crime, por volta de 15 de março de 2026. Tiago era ex-diretor do Conjunto Penal de Paulo Afonso (BA) e foi exonerado do cargo após o assassinato.

















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