O elevado índice de atendimentos ocasionados por vítimas de acidentes no trânsito ainda é uma constante no setor de trauma da maior unidade de saúde do Estado, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), que é gerenciado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). No ano passado (2019), no período de janeiro a dezembro, foram registrados pelo Sistema Integrado de Informatização de Ambiente Hospitalar (HOSPUB), 3.218 vítimas envolvidas com acidentes no trânsito. Distribuídos entre 170 vítimas de atropelamento, 534 vítimas de acidente automobilístico e 2.514 vítimas de acidente motociclístico.

Diferente do ano de 2018, no mesmo período, quando foram registrados 6.853 casos envolvendo acidentes no trânsito. Foram 5.841 vítimas de acidente motociclístico, 784 vítimas de acidente automobilístico e 228 vítimas de atropelamento. A Área Verde Trauma continua recebendo pacientes vítimas de acidentes no trânsito, muitos são vítimas da imprudência e estão ligados a fatores como excesso de velocidade, falta do uso de equipamentos de segurança como capacete e cinto de segurança, além da ingestão de álcool.

A permanência de um paciente vítima de acidente no trânsito, dependendo da gravidade do trauma, representa um custo alto em assistência hospitalar, internação em leito de UTI, insumos, equipamentos, exames, entre outros fatores, como explica o superintendente interino do Huse, Wagner Andrade.

“Nós temos geralmente em uma cirurgia do trauma relacionada a motociclista, quando o trauma é simples, ela pode chegar a dois mil reais, se esse paciente for fazer o procedimento particular ela chega a ficar quatro vezes mais caro, isso em um paciente simples. Se o paciente tem uma perna quebrada, um braço quebrado e ainda um trauma craniano e precisa de uma neurocirurgia isso pode chegar a vinte mil reais, porque tem as diárias de UTI que são impactantes, então, uma média entre o grande e o pequeno acidentado, chega a valores de cinco mil reais por paciente, isso na rede SUS. Como são pacientes na faixa etária produtiva, entre 20 e 45 anos, nós temos pacientes que vão passar até seis meses no INSS, ou seja, além dos custos no SUS também tem o custo social porque fica afastado do trabalho”, explicou Wagner Andrade.




Sequelas

Cerca de 30% desses casos, as sequelas existem e muitas vezes são definitivas, como a paraplegias, tetraplegias, deformidades ósseas e amputações. Nos outros 70%, as vítimas sofrem sequelas parciais, como restrições de movimentos e dores. O motoboy Augusto César Silva, 43, sofreu um acidente motociclístico enquanto trabalhava. Ele sabe que vai passar um período afastado do trabalho e já se preocupa com a situação.“A gente que é motoboy já ganha pouco, vou ter que fazer o reparo na moto e ter que ficar recebendo pelo INSS. Depois da cirurgia vou passar uns três meses para me recuperar totalmente e retornar as minhas atividades, mas o bom é que estou vivo e contando a minha história”, declarou.

Informações e foto SES