Facilmente se associa o trabalho realizado pela equipe da criminalística como sendo apenas a retirada do corpo do local de crime, porém é importante esclarecer que há uma análise minuciosa realizada antes do deslocamento do cadáver até o Instituto Médico Legal (IML). Em uma cena de crime, as análises e investigações realizadas, comparações balísticas e verificação do local do crime são apenas algumas das funções dos peritos criminais realizadas diariamente para a correta confecção do laudo criminal que será, futuramente, entregue à autoridade policial ou judiciária responsável pelo caso investigado.

Atualmente, o Instituto de Criminalística conta com duas equipes por plantão. Cada equipe tem cerca de sete profissionais, além de um grupo de sobreaviso e quatro viaturas à disposição para o deslocamento e atendimento aos plantões. Para que se entenda a dinâmica nos bastidores do trabalho dos peritos, é fundamental que se compreenda o processo a ser seguido e os procedimentos adotados para a finalização e entrega de um laudo.

Ainda no local em que o corpo foi encontrado, os peritos realizam um exame denominado de perinecroscopia. Esse procedimento nada mais é que um exame externo do local do crime, arredores e no corpo, analisando possíveis vestígios e provas que esclareçam o que de fato ocorreu. Nessa perícia, realizada ainda no local, são colhidas evidências por meio do que o corpo e os indícios ao redor irão expor. O objetivo do exame perinecroscópico é determinar a dinâmica do crime, esclarecendo todos os questionamentos relacionados.

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De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística, Nestor Joaquim de Góis Barros, esse exame não é realizado apenas em circunstâncias em que haja óbito. “A perinecroscopia não é feita exclusivamente em locais de homicídios. Em situações de crime contra o patrimônio, como por exemplo em um arrombamento, o exame perinecroscópico também é realizado”, destacou.

A função de um perito que atua na criminalística é descrever no laudo, da forma mais objetiva possível, como o fato ocorreu. Ele, por exemplo, identifica o ângulo em que a arma branca perfurou a vítima e em casos de arma de fogo, o local de entrada e saída do projétil, a arma utilizada para o crime ou mesmo o instrumento que foi concebido para o ataque ou defesa. Todos os primeiros questionamentos sobre a causa morte podem ser esclarecidos no local do delito.

Mas, para a perícia, qual a diferença entre arma e instrumento? Uma arma é confeccionada para ataque ou defesa, ou seja, um revólver é caracterizado como arma. Já um instrumento, é todo objeto que foi idealizado para outros fins, e acaba sendo utilizado contra a integridade de alguém, por exemplo, uma faca. Esse tipo de qualificação é apenas uma das especificações que deve constar em um laudo pericial.

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É necessário informar que os objetos encontrados em uma cena de crime não são encaminhados de imediato ao Instituto de Criminalística. Eles devem ser entregues à autoridade policial presente no local. Nestor Joaquim esclarece que “quem tem competência para requisitar exame pericial é o delegado, juiz ou promotor. Um perito não pode trazer um objeto da cena do crime porque acha que determinado objeto possui um fragmento de impressão latente e requisitar uma perícia”.

Ele mencionou ainda que os exames realizados, seja em um corpo ou em um objeto devem ser solicitados primeiramente pelo delegado responsável pelas investigações. “Quando encontramos qualquer evidência, é comunicado de imediato ao delegado, que vai encaminhar ao Instituto de Criminalística uma solicitação para o exame. Após a solicitação, o material é encaminhado para o laboratório químico, onde são realizadas as análises para a confecção de um laudo pericial”.

Cena do crime

O diretor ressalta que a população pode contribuir com o trabalho dos peritos mantendo o local do crime. “Muitas vezes a população por simples curiosidade modifica a cena de crime, posição de objetos e até mesmo do corpo. É importante que ao chegar no local os peritos encontrem a cena da maneira como ela foi formada”, explicou.

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O trabalho realizado pela perícia criminal detém um grande impacto nos passos seguintes que serão adotados para a conclusão de um inquérito. “Nós temos uma cobrança da população, mas é importante que se entenda que o Instituto de Criminalística é cobrado por organismos da segurança como a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Civil por meio dos delegados, o Ministério Público via promotores e a justiça por meio dos juízes. Então, esses órgãos cobram a qualidade dos nossos laudos, não é apenas chegar no local do homicídio registrar fotos e recolher o corpo”.

Apesar das adversidades, ele diz que o trabalho realizado vem gerando resultados positivos. “Já reduzimos muito o nosso tempo de atendimento, adquirimos câmeras profissionais e não é mais necessário terceirizar esse tipo de serviço. Estamos desenvolvendo as atividades para beneficiar tanto a população como tornar ainda mais exatos os laudos produzidos”, finalizou Nestor.

Fonte: ssp

Izaque Vieira / Redação Portal Sou de Sergipe

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